terça-feira, 19 de junho de 2007

(algumas pedradas amais)


Esperar é reconhecer-se incompleto


Evidentemente estaríamos sujeitos a transtornos íntimos e sociais se por acaso não entregássemos uma parcela do nosso tempo, por mínima que fosse, para uma alto-avaliação. Seríamos controvérsias banhadas a ouro. Mas por mais que saibamos dessa negatividade impulsionada pelo pessimismo e pela comodidade - o que nos impede de criarmos e a darmos formas ao nosso imaginário - continuamos a mantê-la viva. Comodismo em questionar regras que estão inseridas dentro e fora de nossos bolsos. Enxergar um horizonte e questionar sua existência para que o próximo a ser avistado venha a ser menos complexo em seus minuciosos detalhes. Toda essa incapacidade impregnada em nossas roupas, confunde o certo e o errado, nossa autonomia migra para o vazio e assim vivemos como robôs limitados a pífios e mórbidos “prazeres”, e sendo assim, toda aquela conversa de deixar o coração falar mais alto, não passa de mais um dito para o elevar do ego - responsável na modificação do caráter pelo egoísmo.
A razão vem a superar a emoção, embora ela – a razão – muitas vezes se torna o fator crucial para nossas angústias, por agirmos friamente calculando todas defesas possíveis, acabamos por nos privarmos de sensações e experiências que viria a preencher-nos e acabando por nos tornar aptos a organizar e entender melhor nossas ações postas em práticas no dia-a-dia.
Julgar nossas atitudes com base em um único ponto de vista, seria uma auto-afirmação do nosso despreparo para uma crítica construtiva voltada a uma correção ou reconhecimento do que somos, do que fazemos e do que sentimos. È inaceitável o fato de as vezes nos desligarmos de opiniões externas, de pontos de vistas diferentes por mais que sejam o extremo oposto do que idealizamos. Isso só adiantaria um atrofiamento de idéias que nos impediria de participar de momentos discursivos, o qual resultaria na expansão de nossos conhecimentos que fortaleceria ainda mais nossos discursos contestadores da realidade.
Realizações sentimentais condicionados ao material fabricado por uma sociedade cruzada pelo consumismo e mecanização da vida, mostra que somos o que compramos, que nossos prazeres estão inteiramente ligados a essa contemplação materialista, onde sofremos se não consumirmos e sorrimos quando temos o que e a quem ostentar o efeito final de nossas idas a centros comerciais.
Presos a uma cadeia materialista onde o belo transforma-se em feio de acordo com a tendência, a utilidade andando lado a lado com o capitalismo que projeta uma necessidade de consumo sobre uma sociedade mercantil. Padrões são fabricados, implantados, exigidos e aderidos. Participamos da economia mundial, somos a base dessa economia. Ela nos controla, mas nós que a mantemos. Muito se põe como um ponto a ser debatido, muito se fala, muito se lê, mas pouco se faz a favor do que temos como referência do que possa vir a ser uma solução para que se alcance o idealizado.
Subtrair-se de toda essa balbúrdia, que prefiro dar-lhe o nome “regras civilizadoras”, seria dar-se ao prazer de passar em cada canto, viver em cada segundo, seria conhecer-se subitamente renegando as suas crenças condicionadas à tarefa de valorizar e vitalizar costumes contemporâneo comportamentais que seria mais uma alternativa achada pela sociedade para manter-nos sob essa apatia insalubre do conformismo, comodismo e um dos principais motivos para a desigualdade e exclusão social, o consumismo.
O recuo aflito com receio do que possa vir a acontecer, é esperar e prender-se à expectativas, o que acabam ocasionando, embora muitas das vezes é difícil evitá-la, em uma desilusão provocadora de um sentimento agonizante.
Esperar não fará diferença alguma, não modificará ou dará credibilidade a nossos atos, apenas nos tornará um recipiente transparente em perfeito estado físico e com uma limpeza impecável por nunca, se quer, ter saído da embalagem, e ali continuando a servir como objeto de consumo, sem sentimentos, vazio e sem a idéia de que prazeres são sentimentos variantes, e que quando reciclados eles perdem sua verdadeira essência.
O velho e o novo procriando em um mesmo corpo que aspira formol.

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